Eis quatro álbuns do rock brasileiro que fazem 40 anos sem perda da relevância
28/02/2025
(Foto: Reprodução) Capas dos álbuns lançados em 1985 por Legião Urbana, Cazuza, RPM e Kid Abelha
Divulgação / Montagem g1
♫ MEMÓRIA
♪ Foi a Blitz quem abriu, no verão de 1982, as portas do mercado fonográfico nacional para o rock made in Brasil. O estouro do single Você não soube me amar – joia de alto quilate pop, com frescor então inédito na música do Brasil – mostrou aos diretores das gravadoras que havia um público jovem ávido por consumir música pop, fora do universo da MPB. Tendência que já havia sendo sinalizada pelo sucesso dos discos das bandas 14 Bis e A Cor do Som, bem como pelo êxito de Guilherme Arantes e da pioneira banda new wave Gang 90 & Absurdettes.
Contudo, se 1982 foi o ano da virada, a consolidação do rock brasileiro aconteceu entre 1985 e 1986. Neste binômio, todas as grandes bandas nacionais lançaram álbuns que se tornariam referenciais na discografia brasileira do gênero.
Para celebrar os 40 anos de quatro álbuns apresentados em 1985, o Blog do Mauro Ferreira elegeu quatro grandes discos daquele ano. São três álbuns de bandas – Legião Urbana, Kid Abelha e RPM – e um álbum de cantor, Cazuza (1958 – 1990), então recém-saído (por vontade própria) do Barão Vermelho, grupo seminal no movimento roqueiro da década de 1980.
A lista bem poderia incluir os primeiros álbuns das bandas Ira! (Mudança de comportamento) e Ultraje a Rigor (Nós vamos invadir sua praia) tamanha a força do rock brasileiro naquele ano de 1985.
♪ Eis os quatro grandes álbuns do rock brasileiro de 1985 que completam 40 anos em 2025:
♬ Legião Urbana – Legião Urbana
♩ Chegou às lojas de discos na primeira semana de janeiro, com absoluta discrição, o primeiro álbum daquela que se tornaria a maior banda de rock do Brasil, não somente pelo som (que foi se distanciando da origem punk a partir do segundo álbum, Dois, de 1986), mas sobretudo pela atitude e pela capacidade arrastar multidões em caráter messiânico. A banda brasiliense Legião Urbana era criação da mente inquieta e privilegiada de Renato Russo (1960 – 1996), artista que divide com Cazuza o posto de grande compositor letrista do rock brasileiro dos anos 1980. Gravado de outubro a dezembro de 1984, Legião Urbana, o álbum, legaria três standards do cancioneiro de Russo – Ainda é cedo (com André Pretorius, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá), Geração coca-cola e Será (com Dado e Bonfá) – ou quatro, se levado em conta que a balada alocada no melancólico fecho do disco, Por enquanto, seria amplificada a partir de 1990 na voz da cantora Cássia Eller (1962 – 2021). Legião Urbana é álbum político que resistiu bem ao tempo nesses 40 anos, ainda que algumas letras tragam anseios específicos da geração que veio ao mundo em 1960.
♬ Cazuza – Cazuza
♩ Em parceria com Roberto Frejat, Cazuza construiu um dos repertórios fundamentais do rock brasileiro da década de 1980 enquanto esteve na banda carioca Barão Vermelho, na qual entrou em 1981 para ocupar o posto de vocalista. E mesmo depois que decidiu sair do grupo em 1985 para trilhar carreira solo iniciada ainda naquele ano com a edição do álbum solo intitulado Cazuza, mas conhecido como Exagerado pela força dessa música composta pelo artista com Leoni e com Ezequiel Neves (1935– 2010), um dos mentores do Barão e de Cazuza. Além do pop rock Exagerado, o álbum Cazuza apresentou a lírica balada Codinome beija-flor (Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves), Mal nenhum (parceria de Cazuza com Lobão) e músicas compostas por Cazuza com Frejat para o que seria o quarto álbum do Barão Vermelho, mas levadas por Cazuza para o álbum solo do cantor. Entre elas, Boa nova, Rock da descerebração e Só as mães são felizes.
♬ Revoluções por minuto – RPM
♩ Embora implodida a partir de 1987 por disputas internas movidas por egotrips, a parceria do cantor, compositor e baixista Paulo Ricardo com o tecladista e compositor Luiz Schiavon (1958 – 2023) foi um dos motores da fase inicial do rock brasileiro que irrompeu ao longo dos 1980. A magia e química da parceria de Paulo e Schiavon valorizam Revoluções por minuto, primeiro e melhor álbum de estúdio do grupo paulistano RPM. Em sintonia com as letras ora políticas ora sensuais de Paulo Ricardo, a música de Luiz Schiavon foi a alma que elevou o som tecnopop new romantic do RPM a um patamar inédito no Brasil neste antológico álbum Revoluções por minuto que flertou com o universo dark. Além da música-título Revoluções por minuto, os petardos Olhar 43, Rádio pirata, Juvenília, Louras geladas e A cruz e a espada são composições que garantem ao álbum um lugar de honra na discografia do rock brasileiro.
♬ Educação sentimental – Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens
♩ Embora seja banda minimizada no panteão do rock brasileiro pelo teor pop do som e do repertório povoado por músicas de letras sobre o universo amoroso juvenil, o Kid Abelha merece figurar em qualquer antologia nacional do gênero por conta dos dois primeiros álbuns, ambos gravados com Leoni ainda na formação do grupo carioca, personificado pela vocalista Paula Toller, rara mulher a se destacar numa banda de rock do mainstream, então reduto quase exclusivamente masculino. Segundo dos dois álbuns feitos com Leoni no grupo, Educação sentimental atingiu ponto de excelência pop. A faixa que impulsionou o disco, Lágrimas e chuva (Leoni, Bruno Fortunato e George Israel), deixou entrever certa melancolia adulta. Já Os outros (Leoni), Garotos (Leoni e Paula Toller) e A fórmula do amor (Leoni e Léo Jaime) – delícia pop adolescente mais bem gravada no disco de Leo Jaime, em dueto do cantor com Paula – batiam de forma aliciante na tecla dos amores juvenis.